



Beatriz Resendes

FLORES DE MÚSICA (1620)
A obra de Manuel Rodrigues Coelho e a música do seu tempo
Manuel Rodrigues Coelho nasceu em Elvas, no sul de Portugal, por volta de 1555 e faleceu em Lisboa em 1635. Durante a sua vida, exerceu funções como organista na sua cidade natal e em Badajoz (Espanha), sendo posteriormente nomeado organista da Capela Real de Lisboa. Flores de musica pera o instrumento de tecla & harpa, a sua única obra conhecida, foi impressa em Lisboa em 1620 por Pedro Craesbeeck. Celebrando o 400º aniversário da sua publicação original, uma nova edição em três volumes, com curadoria de João Vaz, foi publicada pela editora Ut Orpheus (Bolonha), sob os auspícios da ECHO – Cidades Europeias de Órgãos Históricos. A pesquisa realizada durante a preparação da nova edição levou à ideia de uma nova gravação, utilizando todos os instrumentos prescritos por Coelho – instrumentos de tecla (órgão, cravo e clavicórdio) e harpa. Embora nenhum dos instrumentos que Coelho possa ter conhecido tenha sobrevivido até aos nossos dias, foram utilizados importantes instrumentos históricos e locais significativos (como as catedrais de Elvas e Évora).
Neste concerto – e na gravação que agora se apresenta – as peças para órgão são interpretadas, conforme o uso da época, alternadamente com canto gregoriano ou com polifonia de compositores contemporâneos de Coelho, como Manuel Cardoso (1566-1650), que atestou a qualidade das obras de Coelho no processo de aprovação para a impressão de Flores de musica. Uma atenção especial foi dada à prática de execução na época de Coelho. Um facto que se destaca nas descrições de eventos religiosos da época é a flexibilidade com que os recursos vocais e instrumentais eram utilizados. A interpretação era adaptada consoante o número de cantores e instrumentistas disponíveis, e os instrumentos podiam, conforme a necessidade, duplicar ou substituir as partes vocais. No presente concerto, esta variedade instrumental (bem como a presença constante do órgão na polifonia) contribuirá para um som mais próximo daquilo que um ouvinte da época de Coelho teria experienciado.
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