

O realejo do Coro Alto de Pascoal Caetano Oldovino – breve regresso às origens
O genovês Pascoal Caetano Oldovino foi contratado para remodelar o órgão da Capela Mor da igreja de S. Francisco. Radicou-se em Évora, onde casou e estabeleceu a sua oficina, tendo feito mais de 30 órgãos para as igrejas e conventos do Alentejo. Deixou em testamento o órgão (realejo) verde e pediu para ser sepultado na igreja.
Em S. Francisco existem quatro órgãos deste construtor, mais dois na Sé, todos restaurados e integrantes do Festival.
O pretexto deste concerto é o de reunir pela primeira vez cinco órgãos de Oldovino, os quatro da igreja e o do espaço dAM espacedam.ch na Suíça, um dos dois conhecidos fora de Portugal, sendo que um outro está nos EUA.
O FIOE desafiou o coleccionador, musicólogo e intérprete Patrick Missirlian para a abertura do Ciclo de Concertos 2025-2026 em que terá oportunidade de tocar os 4 órgãos de S. Francisco em conjunto com peças gravadas pela equipa do Festival no seu orgão em Romainmôtier, no início de outubro.
Um concerto diferente, que permite trazer brevemente de volta o pequeno realejo à sua origem, ainda que de forma virtual.
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As obras do programa deste concerto oferecem um panorama musical das grandes nações europeias por volta da década de 1620.
Durante este período, foram editadas importantes publicações de música para tecla (ou órgão) em várias cidades importantes do norte ao sul da Europa, nomeadamente o Libro di Capricci de Girolamo Frescobaldi (Roma, 1624) e a Tabulatura Nova de Samuel Scheidt (Hamburgo, 1624). Estas publicações reflectiam novas práticas musicais no emergente estilo barroco
e forneciam a tão aguardada contrapartida instrumental à Nuove Musiche de Monteverdi, Caccini e Peri para a música vocal.
Por volta de 1600, as formas de percepção da polifonia mudaram radicalmente com o advento do baixo contínuo. As formas de representação sofreram uma profunda renovação. Ainda hoje nos impressionamos com a modernidade das composições que nos chegaram desse período longínquo.
O pequeno órgão (realejo) assinado “D[om] Pascalis Caetanus Natione Italus feci 1764” e preservado no espaço dAM espacedam.ch em Romainmôtier, Suíça, foi construído a partir de um órgão processional mais antigo, provavelmente do séc. XVII, tendo sido reutilizada a caixa decorada, parte dos tubos metálicos e o teclado, que se estendeu nos agudos para atingir quatro
oitavas. Segundo o livro de contas do convento franciscano de Évora, tratava-se do órgão do coro alto (coro de sima), situado por cima da entrada da igreja e que hoje desapareceu. O nosso realejo ainda consta do inventário estabelecido durante a secularização do convento em 1834. Como já era um instrumento histórico na época de Oldovino, o programa deste concerto
de cinco órgãos é naturalmente inspirado na grande tradição da música barroca nas suas origens.
Patrick Missirlian
ÓRGÃO PESSOAL DE OLDOVINO (1762)
Manoel Rodrigues Coelho (c.1555-c.1635)
1° Kyrie de primeiro tom para C sol fá ut (Flores de Música, Lisboa, 1620)
John Bull (1562/3-1628)
Salve Regina (5 versos) MB 40
ÓRGÃO VERMELHO (1751)
Manoel Rodrigues Coelho (c.1555-c.1635)
2° Kyrie de primeiro tom
Samuel Scheidt (1587-1654)
Cantio Sacra Warum betrübst du dich mein Hertz (12 variações) SSWV 106 (Tabulatura
nova, Hambourg, 1624)
ÓRGÃO DO ESPACE DAM, ROMAINMÔTIER, SUÍÇA (1764)
Manoel Rodrigues Coelho (c.1555-c.1635)
4° Kyrie de primeiro tom
ÓRGÃO DA SALA DA TRIBUNA REAL (1751)
Girolamo Frescobaldi (1583-1643)
Partite sopra l’aria di Folia (6 variações) (Primo libro di Toccate, Rome, 1615)
Capriccio IX di durezze (Primo libro di Capricci, Rome, 1624)
Magnifi cat Primi Toni (5 versos) (Secondo libro di Toccate, Rome, 1627)
ÓRGÃO DO ESPACE DAM, ROMAINMÔTIER, SUÍÇA (1764)
Pablo Bruna (1611-1679)
Tiento de 2° tono por Ge sol re ut sobre la letanía de la Virgen
ÓRGÃO GRANDE DA CAPELA MOR (1743)
Manoel Rodrigues Coelho (c.1555-c.1635)
5° Kyrie de primeiro tom
Francisco Correa de Arauxo (1584-1654)
Discurso [n° 59] de medio registro de tiple de segundo [tono] por desol de treinta y dos
numeros al compas [5° grado] (Libro de tientos, Alcalá de Henares, 1626)
Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621)
Fantasia Ut re mi fa sol la à 4 SwWV 263





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